síndrome da apnéia do sono

Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono (SAOS)

A Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) se caracteriza pelo fechamento das vias aéreas superiores durante o sono (diurno ou noturno), causando a sensação de sufocamento, engasgo, palpitação, que faz o indivíduo acordar subitamente com muito mal estar.

Esse mal estar súbito termina após o despertar, a medida que a pessoa vai recuperando com calma a respiração. Esses episódios de fechamento das vias aéreas podem acontecer também sem causar a sensação de “engasgo” descrito anteriormente, no entanto, essas “paradas respiratórias”, podem ser testemunhadas pelo parceiro(a), que deve relatar esse evento para o médico.

Os episódios podem estar relacionados a ronco intenso ou não. Quando associados a ronco, observamos que depois do ruído, o indivíduo fica em silêncio por um período, voltando a manifestar um ronco intenso chamado ronco de resgate, quando volta a respiração. Isso pode acontecer inúmeras vezes durante o período de sono, causando fragmentação importante, que é o principal responsável pelas queixas diurnas de cansaço e sonolência, comuns para quem tem SAOS.

A SAOS é mais comum em indivíduos adultos, principalmente homens (4 homens para 1 mulher na idade reprodutiva), com peso acima do normal, no entanto, pessoas magras também podem ter apneia, por apresentarem alterações faciais como a retrognatia, por herança genética, ou ainda pelo aumento das amígdalas e adenóides no caso de crianças e adultos jovens.

A epidemiologia da SAOS

A SAOS é um distúrbio comum que afeta de 2 a 9% da população mundial de meia idade. Estudo recente realizado na cidade de São Paulo, mostrou que a SAOS pode ser muito mais comum do que pensamos, acometendo cerca de 30% da população das grandes cidades.

O diagnóstico de SAOS

As queixas clínicas são importantes no diagnóstico da SAOS. A presença de sonolência diurna excessiva, ronco, a manutenção do cansaço mesmo após ter dormido durante toda a noite (sono não reparador), irritabilidade durante o dia, indisposição, falta de produtividade no trabalho, cansaço fácil e algumas vezes redução da libido, queixa comum no sexo masculino são achados frequentes nos pacientes com SAOS. Alterações de memória e da concentração, são outros sintomas clínicos normalmente relatados. O diagnóstico da SAOS é feito pela detecção do fechamento das vias aéreas durante o sono e a queda dos níveis de oxigênio no sangue durante os episódios de obstrução através de um exame de polissonografia, realizado durante toda uma noite de sono, no laboratório do sono ou na própria casa do paciente.

SAOS e risco cardiovascular

A SAOS pode comprometer muitos outros sistemas do organismo, acometendo órgãos diversos, com diferentes conseqüências. No entanto, as doenças cardiovasculares causadas ou pioradas pela SAOS são as mais graves, e portanto, têm sido mais profundamente pela literatura científica mundial. A hipertensão arterial sistêmica é uma das doenças diretamente causadas pela apneia do sono e parece ser uma das alterações mais precoces num individuo com SAOS sem tratamento. As arritmias do coração durante o sono, as doenças das coronárias que levam a ataques do coração, a insuficiência cardíaca congestiva além do acidente vascular encefálico, ou derrame, parecem estar relacionados direta ou indiretamente as paradas respiratórias noturnas. As doenças sistêmicas causadas ou pioradas pela SAOS são bastante comuns e devem ser reconhecidas prontamente por outras especialidades médicas, sendo de fundamental importância que o todo clínico não especialista possa diagnosticá-las. Outros efeitos da SAOS que têm sido estudados atualmente estão relacionados a resistência a insulina o aumento da glicemia, o que leva ao aumentado risco de desenvolver o diabete tipo 2 e as doenças metabólicas associadas a obesidade.

SAOS e acidentes

Diversos estudos confirmam que a SAOS é uma importante causa de acidentes automobilísticos. A causa direta mais comum destes acidentes é a sonolência diurna e noturna no trabalho, na direção de veículos motores ou nos domiciliares. Além disso, a falta de concentração crônica, referida pelos indivíduos com SAOS, pode ser responsável por muitos acidentes e por falhas que somente serão percebidas mais tarde. Estatísticas internacionais colocam a SAOS como a segunda maior causadora de acidentes, perdendo apenas para o álcool. O diagnóstico e o tratamento da SAOS é fundamental na prevenção destes acidentes.

SAOS e doenças pulmonares

As doenças pulmonares como Asma Brônquica, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônicas (DPOC), assim como doenças do parênquima pulmonar, podem ser pioradas pela presença da SAOS. Os pacientes com doenças pulmonares crônicas normalmente apresentam taxas de oxigenio no sangue baixa, que podem tornar-se ainda mais reduzidas se associadas a paradas respiratórias noturnas, como na SAOS. Do mesmo modo, como falamos anteriormente, pacientes com doenças cardiovasculares, devem ser sempre investigados para detecção de SAOS, uma vez que a associação das doenças pode piorar o quadro e dificultar o controle desses pacientes.

Tratamento da SAOS

O controle do peso, e o ajuste de uma boa rotina de sono sãofatores principais no tratamento da SAOS. As opções de tratamento da SAOS vãodepender da severidade da doença, dos padrões individuais de cada paciente, além das doenças associadas. Podemos tratar a SAOS com tratamentos fonoaudiológicos, aparelhos intra-orais, cirurgias e o uso de aparelhos de pressão positiva como o CPAP. A avaliação das vias aéreas é muito importante, sendo indicado cirurgia nasal, quando houver obstrução nasal com indicação cirúrgica, além da retirada das amígdalas e adenóides em adultos jovens e crianças quando são volumosas e possíveis causadoras da SAOS. A cirurgia das vias aéreas superiores para tratamento da SAOS é um tratamento muito importante e resolutivo em crianças. Entretanto, a cirurgia radical das vias aéreas superiores não têm os mesmos benefícios no adulto, tendo resolução definitiva da SAOS em menos de 30% dos casos. Para casos de apneia leve ou moderada e sem comorbidades, ou para casos de não adaptação ao CPAP, o dispositivo intra-oral, com tração mandibular, usado durante o sono, e ajustado por um dentista especializado é um bom tratamento. Há também o tratamento com exercícios orientados pelo grupo da fonoaudiologia que contribui para melhora destes casos mais leves. Nos casos de SAOS moderados e graves, nos casos leves quando há associação de doenças cardiovasculares como hipertensão arterial sistêmica, infarto cardíaco ou derrame, ou ainda em pessoas muito sonolentas com alto risco de acidentes, o CPAP é o principal tratamento. O CPAP é um aparelho de ventilação não invasiva, que gera um fluxo de ar contínuo, e que entra pelo nariz através de uma máscara (geralmente nasal). Esse fluxo de ar mantém a via aérea aberta durante toda noite, permitindo um respiração tranqüila e sem engasgos. O CPAP corrige a apneia no momento em que é usado, se o tratamento for descontinuado a apneia volta a acontecer.

 

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