Por uma Boa Noite de Sono

Dr. Fernando Morgadinho, neurologista especialista em medicina do sono, explica para a Revista One Health Mag por que as noites mal dormidas devem ser evitadas.


O sono é tão primordial para o ser humano que existe um dia mundial para ele, 16 de março. Não é para menos: passamos (ou deveríamos passar) um terço de nossas vidas dormindo — e os outros dois terços do tempo em que estamos acordados só são aproveitados adequadamente se o corpo e a mente estiverem bem descansados.

Infelizmente, nem sempre é assim. Dentre as muitas doenças do sono observadas atualmente, uma se destaca na análise do neurologista Fernando Morgadinho: a falta de sono. “Hoje, dormimos em média uma hora a menos que nossos antepassados. Cerca de 30% da população mundial dorme menos do que deveria, que são de sete a oito horas por noite”, explica ele, que é especialista em medicina do sono e professor adjunto de Neurologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

São muitas as consequências dessa abreviação do descanso. Em curto prazo, Morgadinho destaca sonolência, reflexos lentos, memória ruim, irritação com pequenas coisas e náuseas. No longo prazo, os problemas ficam mais preocupantes. “Surgem a predisposição a acidentes domésticos e de trânsito, devido à elevada falta de concentração; o risco de hipertensão; a alteração imunológica; e a diminuição da libido, que impacta na vida sexual.”

As doenças do sono clássicas estão no radar dos especialistas deste ramo da medicina. A síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) e a insônia são as mais importantes. “Aproximadamente 32% da população sofre de SAOS, sendo a maioria homens e pessoas obesas”, revela o médico. As características da síndrome são pausas respiratórias durante o sono e ronco, causado pela obstrução das vias respiratórias. Muita gente não dá a devida importância ao problema, mas ele propicia uma liberação de hormônios que desperta o estresse, aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial e eleva o risco de AVC e infarto agudo do miocárdio.

A insônia, por sua vez, acomete cerca de 15% da população mundial, segundo o especialista. Existem três características que facilitam sua detecção: a dificuldade para começar a dormir, a incapacidade de manter o sono pelo período necessário e o despertar no meio da noite sem conseguir voltar a dormir. O aumento da pressão arterial está intimamente ligado à insônia, por isso é bom ficar atento aos sinais.

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HIGIENE DO SONO

Para evitar os prejuízos à saúde decorrentes da má qualidade do sono, o primeiro passo é adotar a higiene do sono. É necessário dormir em um ambiente preparado para o descanso, com pouca ou nenhuma luminosidade e o mínimo possível de barulho. Aparelhos eletrônicos, como TV e celular, devem ficar desligados. “A luz azul deles inibe a liberação de melatonina, substância essencial para o descanso”, justifica Morgadinho. Bebidas estimulantes (como o café) depois das 17h, grandes refeições à noite e exercícios físicos extenuantes até três horas antes de dormir também devem ser excluídos da rotina.

“O sono pode ser um problema ou uma solução. Conhecer os padrões de sono e respeitá-los é uma porta de entrada para a evolução humana”

– Dr. Fernando Morgadinho,
neurologista especialista em medicina do sono

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTOS

Quando não é possível resolver uma doença do sono com a mudança de hábitos, o caminho é procurar um médico especialista para fazer exames diagnósticos e definir o melhor tratamento. Os exames iniciais para detectar e entender os problemas do sono são as polissonografias noturnas (em que aparelhos mapeiam o sono enquanto o paciente dorme), o teste de múltiplas latências do sono (realizado durante o dia) e a actigrafia (que monitora os padrões de sono). Havendo necessidade, são solicitados testes mais específicos. O tratamento pode ser medicamentoso, terapêutico ou com o auxílio de aparelhos. Com o diagnóstico em mãos, um bom médico chega ao melhor meio para tratar cada paciente e garantir a ele boas noites de sono.

A rede credenciada One Health conta com uma gama dos melhores e mais conceituados profissionais, como o Dr. Fernando Morgadinho, para atender os beneficiários em todas as suas necessidades. São cerca de 800 médicos credenciados, que podem ser localizados no site (https://www.onehealth.com.br). Também é possível encontrar os médicos da nossa rede credenciada por meio do aplicativo One Health (disponível para Android e iOS), que permite a busca por geolocalização.

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PADRÕES DE SONO DIFERENCIADOS NÃO SÃO SINÔNIMOS DE INSÔNIA

A insônia é alvo de reclamações de pessoas com os mais variados estilos de vida, mas nem sempre elas sofrem deste mal. “Há padrões de sono diferenciados, e é comum quem vive no vespertino achar que sofre de insônia”, esclarece Morgadinho.

Conheça os horários aproximados dos padrões de sono e evite a confusão:
• Matutino: das 20h às 4h
• Intermediário: das 22h às 6h
• Vespertino: das 2h às 10h

 

Fonte: http://www.onehealthmag.com.br/index.php/por-uma-boa-noite-de-sono/